Pelo terceiro ano consecutivo, o Instituto Sacatar se une ao Institute for Diversity in the Arts (IDA), da Universidade de Stanford, para realizar uma sessão de residência dedicada à exploração de experiências compartilhadas da diáspora africana. A edição deste ano reúne artistas do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo três mulheres artistas da Bahia.

amara tabor-smith e A-Lan Holt
EUA
Mentoras do programa IDA/Stanford – Sacatar
Como mentoras da sessão de residência IDA/Stanford – Sacatar, estamos entusiasmadas em compartilhar esta colaboração única entre o Institute for Diversity in the Arts da Universidade de Stanford e o Instituto Sacatar, em Itaparica, Bahia, Brasil.
Juntas, desenvolvemos uma residência de cinco semanas que reúne oito artistas mulheres — estudantes de pós-graduação e professoras de Stanford, além de artistas multidisciplinares brasileiras — para uma experiência imersiva centrada na diáspora africana. Realizado na sede do Sacatar em Itaparica, o programa promove diálogos significativos entre diferentes geografias da Diáspora, fundamentando a prática artística no intercâmbio cultural e na reflexão crítica.
Esta residência oferece mais do que tempo e espaço para criar: é um convite ao envolvimento profundo com questões como identidade Negra transnacional, justiça social e privilégios nacionais. As artistas explorarão locais de importância para a cultura afro-diaspórica em Itaparica, Salvador e no Recôncavo Baiano, conectando-se com lideranças culturais locais, instituições e tradições populares.
Reconhecemos o quanto é raro — e necessário — criar espaços onde artistas, acadêmicas e trabalhadores culturais de diferentes partes da Diáspora possam se reunir. Este programa nasce de um compromisso compartilhado com o diálogo, a colaboração e a transformação — tanto individual quanto coletiva.
A residência será realizada de 14 de julho a 18 de agosto de 2025. Convidamos o público a acompanhar os eventos do programa e saber mais em sacatar.org.

Alexandrea Henry
Arte sonora | EUA
Alexandrea Henry é uma artista multidisciplinar e ex-educadora cujo trabalho visual costuma se concentrar em filmes fotográficos, valorizando a natureza tátil e deliberada desse meio. Além da fotografia, sua prática abrange poesia e prosa lírica, e atualmente se expande também para a arte sonora.
No Brasil, Alexandrea tem especial interesse em se conectar com crianças envolvidas no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e em outros movimentos sociais, buscando compreender como elas percebem e expressam solidariedade com lutas globais.
Durante sua residência no Sacatar, ela desenvolverá res-o-nance, um projeto que investiga o som como linguagem artística. Inspirada pelos escritos de Alexis Pauline Gumbs sobre o poder do eco, Henry explora como crianças brasileiras — especialmente as do movimento Sem Terrinha — escutam e respondem a apelos por justiça vindos de outras partes do mundo, como a Palestina.


Ester de Oxum
Artes Visuais | Brasil
Ester de Oxum é uma artista multidisciplinar de Itamaraju, Bahia. Seu trabalho reúne pintura, performance, escrita e ritual, conectando arte e ancestralidade com ênfase nos saberes afro-diaspóricos e no que a artista chama de “tecnologias do sagrado”.
Utilizando materiais orgânicos e simbólicos, Ester cria obras que evocam presenças ancestrais e paisagens internas. Sua prática é inspirada por mitologias afro-diaspóricas, cantos sagrados e pelo ato de escutar o invisível. Com isso, trata a pintura como um território de incorporação, encantamento e revelação.
Durante sua residência no Sacatar, ela pretende aprofundar uma pesquisa em andamento sobre as Atós — mulheres que cantam para Baba Egungun — e seu papel como guardiãs da memória ancestral.
A residência de Ester de Oxum é realizada com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por meio do programa de Apoio a Ações Continuadas do Fundo de Cultura (SECULT).


2020
Aquarela sobre Papel Canson 300g/M²
21cm X 29,7cm

Helen Salomão
Artes Multidisciplinares | Brasil
Helen Salomão é uma artista multidisciplinar de Salvador, Bahia. Sua prática abrange fotografia, videoarte, escrita e instalações. Em sua obra, espiritualidade, ancestralidade e afeto surgem como temas recorrentes, frequentemente explorados como caminhos para a cura.
O trabalho de Salomão já foi exibido em exposições de destaque, incluindo Axé Bahia: The Power of Art in an Afro-Brazilian Metropolis (Fowler Museum at UCLA, Califórnia, 2017) e Somos aqueles que pereiam o abismo em busca das frestas (exposição coletiva no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2021). Nesta última, Helen apresentou seu primeiro curta-metragem, Raízes Mapas, ao lado de fotografias documentais.
Durante sua residência no Sacatar, Salomão pretende seguir desenvolvendo Diversas em Mim, uma série de autorretratos que reúne fotografia, escrita, pintura, costura, instalações e objetos encontrados.

Fotografia digital em preto e branco, impressa em papel Canson Infinity Rag Photographique 310 g/m², acompanhada de intervenções manuais por meio de giz pastel oleoso em tonalidades terrosas; autorretrato.

Kyéra Sterling
Multimídia + Arte Sonora | EUA
Kyéra Sterling é escritora, curadora e doutoranda em arte, cinema e mídia Negra na Universidade de Stanford. Seu trabalho envolve questões relacionadas ao som, à metafísica Negra e à imagem em movimento.
Ela já atuou como curadora da programação de filmes do Coolidge Corner Theater e da Anderson Collection em Stanford, e atualmente é copresidente de uma mostra de cinema organizada por estudantes de graduação. Sua pesquisa é influenciada por pensadoras como a compositora e artista sonora Pauline Oliveros — especialmente os conceitos de “sonosfera” e “escuta profunda” — e a artista Jennie C. Jones, que investiga a relação entre som e arquitetura a partir de uma perspectiva voltada para a poética aural Negra.
Durante sua residência no Sacatar, Sterling desenvolve o projeto Untitled, 2025 | Sonic Constellations, que explora os sons e ritmos cotidianos da Bahia por meio de capturas experimentais das texturas sonoras do território. Parte paisagem sonora, parte instalação visual, o projeto se organiza em torno da pergunta: Como essa rede de frequências pode “sonorizar” estratégias de sobrevivência cultural para os povos afro-diaspóricos?

(Uma exploração da metafísica Negra da luz e do ser, alimentada pelo uso da luz verde por Mujinga -Ensaio a ser publicado na Liquid Blackness em 2026)

Lorena Ribeiro
Artes Multidisciplinares | Brasil
Lorena Ribeiro é uma artista multidisciplinar de Salvador, Bahia, com mestrado em Linguagem e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Sua prática envolve escrita, fotografia, artes visuais e artesanato. Como escritora, produz poesias, contos e literatura infantil, tendo publicado os livros Amuleto (2024) e O Divertido Glossário da Jana (2020/2023). Seus textos também integram diversas antologias, entre elas Poetas Negras Brasileiras e Vozes Nordestinas.
Ribeiro é idealizadora dos projetos Passos entre Linhas e Lendo a Bahia, voltados à pesquisa literária e à divulgação de obras de mulheres negras e artistas baianos. Sua escrita reflete essa investigação contínua, assim como suas observações do cotidiano. Sua produção visual parte de uma perspectiva semelhante, frequentemente abordando as experiências diárias de uma mulher Negra que vive com fibromialgia.
Durante sua residência no Sacatar, Ribeiro desenvolverá Confluência Insular, projeto que expande os temas de seu livro de poesia artesanal Amuleto. A proposta investiga ideias ligadas à ciclicidade e à sexualidade femininas, com o objetivo de criar obras literárias e visuais que combinem pintura e bordado.

Livro Artesanal (páginas em papel e tecido)

Sophie D’Souza
Artes Multidisciplinares | EUA
Sophie D’Souza é uma artista que investiga as interseções entre mídia mista e linguagem escrita. Seus trabalhos abordam temas como distopia e ecocrítica, retratando de forma íntima pessoas e lugares, enquanto evocam saberes espirituais, conexões ancestrais e as inter-relações entre natureza, humanidade, sistemas de poder e resistência.
D’Souza é doutoranda na Graduate School of Education da Universidade de Stanford, onde pesquisa a violência sistêmica e a desapropriação promovida pelo Estado, com foco nos impactos sobre comunidades racializadas. Ela já facilitou espaços coletivos terapêuticos em escolas e prisões, utilizando a escrita e a criação artística como portais para imaginar outros mundos possíveis.
Durante sua residência no Sacatar, pretende adotar uma abordagem multidisciplinar para explorar a efemeridade em relação aos elementos do mundo natural e espiritual, por meio de poesia, não ficção criativa e técnicas de transferência de imagem, como os cianótipos. Seu trabalho investiga o desprendimento da centralidade humana em favor dos ensinamentos das forças elementares. Sophie espera cultivar relações com todos os seres durante sua estadia na Bahia.

Fotografia Experimental Portraiture
SD’Souza



