O Sacatar tem o orgulho de integrar o Ano da França no Brasil com uma sessão de residência inteiramente moldada por parcerias francesas. Dois artistas — François Dufeil e Louise Mutrel — participam por meio da colaboração contínua entre Sacatar e a Fondation des Artistes, agora em seu terceiro ano.
Esta sessão também marca o lançamento do capítulo baiano de Eu Sou um Oceano Negro, um projeto multidisciplinar e transnacional concebido pela Fellow do Sacatar Beya Gille Gacha, em colaboração com a curadora e compositora Salimata Diop. O projeto reúne artistas da França, Senegal e Brasil — incluindo Aline Motta, Nathalie Vairac e Shai Andrade — em uma exploração compartilhada da identidade negra, da memória e da resistência espiritual.
A participação de Shai Andrade, artista multidisciplinar da Bahia, é viabilizada com o apoio da SECULT (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia), por meio do programa Apoio a Ações Continuadas.
O projeto Eu Sou um Oceano Negro também conta com o apoio do Pivô Salvador e do Consulado da França em Recife.
Essas/es artistas estarão em residência no Instituto Sacatar de 1 de setembro a 3 de novembro de 2025 (9 semanas).

Aline Motta
Artes Multidisciplinares
Brasil
Ano da França no Brasil – Eu Sou um Oceano Negro
Aline Motta (n. 1974, Rio de Janeiro) é artista visual e escritora cuja prática multidisciplinar abrange fotografia, vídeo, instalação, performance e colagem. Sua obra investiga os silêncios e apagamentos em sua história familiar provocados pelo colonialismo, combinando pesquisa em arquivo, trabalho de campo e história oral com abordagens especulativas e poéticas para reinventar narrativas perdidas ou ocultas. Ao abordar temas como diáspora, identidade e pertencimento, Motta constrói pontes entre a memória pessoal e a coletiva, fundindo o poético e o documental.
Motta participou de importantes bienais e trienais, incluindo Sharjah (2023), São Paulo (2023), Coimbra (2024), Stellenbosch (2025) e Trondheim (2025). Seu trabalho já foi exibido em instituições como o MoMA, o New Museum, o Centre Pompidou-Metz, o MASP, o MALBA, o Centro Cultural Kirchner, Rencontres d’Arles, o MAR e o MAM-Rio. Seu livro A Água É uma Máquina do Tempo foi finalista do Prêmio Jabuti em 2023.
Durante sua residência no Sacatar, Motta está desenvolvendo roteiros baseados nas partes de A Água É uma Máquina do Tempo que ainda não foram adaptadas para o cinema. A intenção da artista é que o filme já existente, com 30 minutos de duração, será expandido para um longa-metragem de 70 minutos. No cerne do livro e do filme está a história de sua trisavó, Ambrosina Cafezeiro, nascida na Bahia em 1857 e falecida no Rio de Janeiro em 1894. Registros arquivísticos indicam que Ambrosina pode ter nascido em Salvador ou na região do Recôncavo, possivelmente na cidade de Jaguaripe. A proximidade de Itaparica com esses locais abre novas possibilidades de pesquisa e desenvolvimento artístico durante a residência da artista.Aline é uma das quatro artistas desta sessão cuja residência foi viabilizada pelo apoio do Sacatar ao projeto Eu Sou um Oceano Negro, parte do Ano da França no Brasil.


François Dufeil
Artes Visuais
França
Fondation des Artistes
François Dufeil (n. 1987) é um artista visual que cria “esculturas-ferramenta” — obras híbridas montadas a partir de resíduos industriais coletados e transformados em formas biomórficas. Essas esculturas são ativadas por meio de performances que convidam à colaboração: músicos, pintores, ceramistas e até cozinheiros interagem com elas utilizando suas próprias ferramentas e práticas, transformando as obras em catalisadores de criação coletiva e de transmissão de saberes artesanais e outros tipos de conhecimento.
O trabalho de Dufeil já foi exibido em instituições como o Musée des Beaux-Arts d’Angers, Musée d’Art Contemporain de Lyon, Les Brasseurs em Liège, La Graineterie – Centre d’Art Contemporain, FRAC des Pays de la Loire, Le Carré – Scène nationale em Château-Gontier, MAC VAL e Gallery Chosun em Seul. Ele também participou de residências no Centre d’Art Contemporain du Parc Saint Léger, Moly-Sabata / Fondation Albert Gleizes, La Condition Publique, entre outras.
Durante sua residência no Sacatar, Dufeil se dedicará à produção de estudos para instrumentos escultóricos de percussão. Sua pesquisa também irá explorar o trabalho de luthiers em Salvador e regiões próximas, promovendo trocas sobre seus conhecimentos, técnicas e sonoridades.
François é um dos dois artistas desta sessão cuja residência foi viabilizada por meio da parceria entre o Sacatar e a Fondation des Artistes.

(Escultura-ferramenta, instrumentos de percussão)
Crédito da foto: Salim Santa Lucia

Louise Mutrel
Fotografia
França
Fondation des Artistes
Nascida em 1992, Louise Mutrel é uma artista visual e fotógrafa francesa cuja obra adota uma estética de cores saturadas e inspirada no universo pop. Embora ultrapasse os códigos tradicionais da fotografia, ela resiste à dependência total em processos digitais, preferindo técnicas analógicas e mecânicas. Desde 2018, desenvolve uma pesquisa contínua no Japão sobre os dekotora—caminhões extravagantemente decorados que mesclam simbologias folclóricas e populares.
Mutrel é formada pela HEAR e pela École Nationale Supérieure de la Photographie, em Arles. Em 2024, foi laureada pela Villa Kujoyama. Seu trabalho já foi exibido em instituições como o Frac Bretagne, o Bozar em Bruxelas, a Triennale Art et Industrie e o Voyage à Nantes.
Durante sua residência no Sacatar, Mutrel realizará uma exploração fotográfica da cultura automotiva de Salvador, com foco em fenômenos como encontros de carros, carros-pipa e paredões—veículos equipados com sistemas de som potentes, usados para tocar música em alto volume durante eventos de rua. A cena motociclística da cidade, igualmente marcada por uma forte identidade local, também será um elemento central de sua pesquisa.
Louise é uma das duas artistas desta sessão cuja residência foi viabilizada por meio da parceria entre o Sacatar e a Fondation des Artistes.

(Retábulo com dekotoras, caminhões híbridos da cultura japonesa de tuning)
168 × 120cm fechado / 240 x 120cm aberto
Risografia e aço
Exposição Goudron Frais, Marselha

Nathalie Vairac
Artes Multidisciplinares
França
Ano da França no Brasil – Eu Sou um Oceano Negro
Após uma carreira de 30 anos como atriz, a artista francesa Nathalie Vairac — de ascendência indo-guadalupense — recentemente direcionou sua prática para gestos performativos. Atualmente, ela desenvolve instalações transdisciplinares que mesclam performance, ritual e artes visuais, explorando suas múltiplas heranças enquanto ativa conceitos como intimidade e o inacabado. Sua obra também é influenciada por anos de formação em psicanálise e práticas terapêuticas.
Em 2018, fundou a Compagnie La Lune Nouvelle em Dacar. Vairac já se apresentou em exposições de destaque, como Mutikkappatata na RAW Material Company, Dakar (2024), e Les Restes Suprêmes no Museu das Civilizações Negras, Dakar (2022). Vive e trabalha em Dacar, no Senegal.
Durante sua residência no Sacatar, Vairac dará continuidade à sua pesquisa sobre a interseção entre o visível e o invisível como espaço de resistência. Por meio do movimento, ela busca novas formas de corporificar a memória ancestral. Ela também espera se conectar com o Candomblé como parte dessa investigação.Nathalie é uma das quatro artistas desta sessão cuja residência foi viabilizada pelo apoio do Sacatar ao projeto Eu Sou um Oceano Negro, parte do Ano da França no Brasil.

Crédito da foto: Sabine Cessou

Salimata Diop
Artes Multidisciplinares
Senegal
Ano da França no Brasil – Eu Sou um Oceano Negro
Salimata Diop é curadora, crítica de arte e compositora. Dividida entre a França e o Senegal, foi diretora artística da Bienal de Dacar em 2024. Entre os destaques de sua carreira estão a direção das três primeiras edições da feira de arte contemporânea AKAA, em Paris, e a cofundação do museu de fotografia MuPho, em Saint-Louis, no Senegal. Em 2024, foi eleita uma das “50 Campeãs da Cultura” pela revista Jeune Afrique.
Sua prática criativa combina escrita e composição musical, explorando narrativas e memórias das experiências africanas e diaspóricas. Enraizado na improvisação, seu processo musical parte de sessões solo ao piano e se desenvolve em diálogos colaborativos com outros artistas. Essas explorações acústicas frequentemente se cruzam com a composição digital, utilizando ferramentas como o Ableton Live. Seja por meio do texto ou do som, a obra de Diop busca criar espaços ressonantes de encontro, reflexão e cura.
Durante sua residência no Sacatar, como parte do projeto Eu Sou um Oceano Negro, Diop assume um papel duplo: co-curadora — ao lado das artistas Beya Gille Gacha e Nathalie Vairac — e compositora/pianista. Como curadora, dá continuidade à sua pesquisa de longa data sobre o ateliê de artista, desenvolvendo uma tipologia moldada por 15 anos de encontros com criadoras/es africanas/os e afro-diaspóricas/os. Como musicista, irá acompanhar performances e rituais, entrelaçando a música ao fio harmônico do “templo” coletivo de criação e cura proposto pelo projeto.

Shai Andrade
Artes Multidisciplinares
Brasil
SECULT e Ano da França no Brasil – Eu Sou um Oceano Negro
Shai Andrade (n. 1992) é uma artista multidisciplinar baiana. Sua prática investiga a memória matriarcal, a identidade e a espiritualidade afro-diaspórica por meio da fotografia, videoperformance e objetos biográficos. A partir de narrativas pessoais que se entrelaçam com a memória coletiva, ela constrói uma obra centrada na genealogia e na reconstrução de histórias — explorando as relações entre o íntimo, o ancestral e o político.
Formada em Artes pela Universidade Federal da Bahia, com habilitação em Cinema, Andrade participou de residências no México (por meio da plataforma curatorial Flotar) e em Luanda, onde apresentou a série Oráculo da Memória. Seu trabalho já integrou exposições coletivas como Afro-brasilidade (FGV, Rio de Janeiro, 2025) e Ô Abre Alas (Maison de la Photographie, Guiana Francesa, 2025). Em 2023, realizou sua primeira exposição individual, Oráculo da Memória, apresentada na Galeria Verve (São Paulo, 2023) e no Goethe-Institut Bahia (Salvador, 2024). Seu filme Assentamento foi selecionado, em 2022, para os festivais Panorama Internacional Coisa de Cinema e Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.
Durante sua residência no Sacatar, Andrade busca resgatar e reinventar uma herança afro-religiosa silenciada em sua família. Ela irá aprofundar sua experimentação com argila e cerâmica, criando obras que combinam escultura, performance e fotografia. Seu objetivo é explorar o corpo, o gesto e os elementos da natureza como caminhos para acessar, expressar e transformar a memória.
A residência de Shai Andrade foi viabilizada graças ao generoso apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por meio do programa Apoio a Ações Continuadas do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT).


(Quartinhas de cerâmica, folhas de ouro e cristal bruto)
Crédito da foto: Divulgação



