O Círculo das Contas de Ouro em Filigrana: Conexões Históricas entre Bahia e Viana do Castelo
18 de janeiro de 2026, 16h
Museu de Arte da Bahia (MAB), Salvador
Programa O Vila Ocupa o MAB, Teatro Vila Velha
O Museu de Arte da Bahia acolhe O Círculo das Contas de Ouro em Filigrana: Conexões Históricas entre Bahia e Viana do Castelo, uma performance inédita da artista portuguesa Rita GT, criada em colaboração com as Cantadeiras Ohùn Obìnrin (Bahia, Brasil) e as Cantadeiras do Vale do Neiva (Minho, Portugal).
A performance propõe uma reflexão crítica sobre as circulações do ouro no contexto colonial e as suas implicações económicas, simbólicas e corporais, com especial incidência sobre as mulheres nos dois lados do Atlântico. Partindo do encontro entre mulheres ⎯ das suas vozes e corpos em relação — o projeto convoca-as como protagonistas ativas de memória, transmissão e resistência, recusando narrativas que as reduzem a figuras meramente ilustrativas da história.
Em cena, o grupo minhoto de cantares e saberes tradicionais Cantadeiras do Vale do Neiva — cuja vinda à Bahia foi viabilizada através de uma iniciativa comunitária de financiamento coletivo — encontra-se com o coletivo baiano Cantadeiras Ohùn Obìnrin, grupo de mulheres guardiãs de tradições orais afro-brasileiras. Voz, canto polifónico, gesto, corpo e ornamento constroem um dispositivo performativo de carácter ritual, no qual a escuta se afirma como ação política e a presença partilhada multiplica narrativas, abrindo espaço a novas possibilidades de relação.
O projeto estabelece um diálogo entre a filigrana minhota e as joias de crioula da Bahia, entendidas não como simples adornos, mas como matérias políticas. A delicadeza formal da filigrana condensa a violência histórica da extração do ouro e a sofisticação técnica que sustentou economias coloniais. O corpo que a sustenta torna-se território de inscrição histórica, expondo as relações entre valor, poder e género. Num momento em que o ouro volta a afirmar-se como reserva de valor e refúgio financeiro, a performance reinscreve-o criticamente no presente, revelando como o valor continua a ser extraído à custa de corpos e territórios. O ornamento deixa de dourar uma história única para a expor como campo plural, fluido e enriquecido por múltiplas vozes.
A investigação artística e histórica que estrutura o projeto foi desenvolvida ao longo de mais de dois anos entre Portugal e o Brasil, articulando arte contemporânea, tradições orais e práticas performativas coletivas. A performance foi consolidada e produzida no contexto da residência artística de Rita GT no Instituto Sacatar, na Ilha de Itaparica, onde o projeto foi selecionado, uma instituição fundada em 2001, reconhecida como a residência artística em funcionamento contínuo mais antiga do Brasil.
Integrada no programa O Vila Ocupa o MAB, esta apresentação reforça a colaboração entre o Teatro Vila Velha e o Museu de Arte da Bahia, afirmando-se como um gesto artístico de reconhecimento histórico, reparação simbólica e projeção futura. “Entre sombra, travessia e luz, o ouro emerge como símbolo de ferida e brilho”. A performance cria um espaço de partilha e conexão que se estende numa conversa aberta com o público.

INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Local: Auditório do Museu de Arte da Bahia (MAB)
Data: 18 de janeiro de 2026
Hora: 16h
Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória, Salvador, Bahia
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
FICHA TÉCNICA
Criação e direção artística: Rita GT
Interpretação: Cantadeiras do Vale do Neiva e Cantadeiras Ohùn Obìnrin
Apresentação: Teatro Vila Velha
Residência artística: Instituto Sacatar (Ilha de Itaparica, Bahia)
APOIOS & MECENAS: Direção-Geral das Artes (DGARTES) – República Portuguesa | Cultura;
Instituto Sacatar; Governo do Estado da Bahia; Fundo de Cultura da Bahia; IPAC; Museu de Arte da
Bahia; Câmara Municipal de Viana do Castelo; Junta de Freguesia de Vila de Punhe; Zet Galeria;
ArtWorks, entre outros apoios institucionais e mecenas privados.
PARA INFORMAÇÕES ADICIONAIS
studio@ritagt.info
producao@teatrovilavelha.com.br
felix@sacatar.org

SOBRE A ARTISTA
Rita GT é uma artista visual cuja prática multidisciplinar — que integra instalação, vídeo, performance e práticas colaborativas — se desenvolve em torno de questões sistémicas relacionadas com a memória coletiva, a identidade, o colonialismo e os direitos humanos. Através de imagens, palavras, objetos e rituais performativos, investiga as relações entre história, poder e corpo, refletindo criticamente sobre o passado colonial e as suas reverberações no presente.
Com um percurso internacional consolidado, apresentou projetos individuais e integrou exposições coletivas em instituições e galerias na Europa, Reino Unido, África e América do Sul. Em 2015, foi comissária do Pavilhão de Angola na 56.a Bienal de Veneza, tendo participado como artista na Bienal de Lagos e na documenta, em Kassel.
É cofundadora do e-studio Luanda e do Kitanda Project, gastronomia e artes, e desenvolve de forma consistente projetos de criação coletiva, centrais na sua prática artística. É uma das vozes das Cantadeiras do Vale do Neiva, coletivo com o qual desenvolve performances colaborativas que ressignificam saberes ancestrais, práticas domésticas e modos de transmissão intergeracional. Entre as suas colaborações,
destacam-se Unearthing (comissão do Yorkshire Sculpture Park, Reino Unido, 2021) e Pão, Vinho, Corpo e Sangue (Braga 25, Portugal, 2025).



