A 5ª sessão de residências do Sacatar em 2025 traz escritoras/es, artistas da performance, músicos e artistas visuais de quatro países diferentes para Itaparica.
O autor e a autora Jared Jackson (EUA) e Juliana Correia (Brasil) estão ambos trabalhando em livros em andamento. Jackson investiga as complexidades de relações raciais em instituições de elite, enquanto Correia pesquisa a interseção entre comida de rua, identidade negra e tradições religiosas. Rita GT (Portugal) utiliza a performance para investigar paralelos históricos entre grupos de mulheres em Portugal e na Bahia. Este grupo também inclui o nono artista baiano a vir ao Sacatar com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT), Vírus Carinhoso (Brasil), que irá trabalhar em seu próximo álbum. A chegada de Omid Asadi (Irã/Reino Unido), que pretende aplicar sua metodologia site-specific para explorar conexões entre a Bahia e o Irã, marca o início da parceria entre o Sacatar e a Factory International (Manchester, Reino Unido).
As/Os artistas chegam ao Sacatar em 17 de novembro de 2025 e permanecem até 19 de janeiro de 2026.

Jared Jackson
Literatura
EUA
Jared Jackson é um escritor de ficção de Connecticut, EUA. Ele já recebeu diversas residências, bolsas e premiações de instituições de prestígio, como MacDowell, Yaddo, VCCA, Center for Fiction, Baldwin for the Arts e Loghaven. Seu trabalho já foi publicado em importantes revistas literárias, incluindo The Yale Review, Guernica, Kenyon Review e n+1, e foi selecionado para The Best American Short Stories. Jackson possui Metsrado em Ficção pela Universidade Columbia e atualmente vive em Nova York.
Sua prática artística se concentra na empatia, na precisão e no poder transformador da narrativa. Por meio de sua escrita, ele busca imaginar realidades alternativas, questionar pressupostos e amplificar vozes frequentemente marginalizadas.
Durante sua residência no Instituto Sacatar, Jackson irá trabalhar em seu novo livro, New Boy, um romance polifônico que examina a vida — e a misteriosa morte — de um estudante negro do primeiro ano em um colégio interno da Nova Inglaterra. O romance explora temas de raça, classe e o custo emocional de ter que navegar por instituições de elite.
Jackson foi selecionado para o Sacatar por seu estilo literário inovador e pelo potencial que sua estadia na Bahia tem de aprofundar ainda mais os temas que ele está explorando em seu novo livro.

Juliana Correia
Literatura
Brasil
Juliana Correia é escritora e contadora de histórias de Vila Isabel, subúrbio carioca. Jornalista, mestra em Educação (UFRJ), pós-graduada em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras (IFRJ), é autora de Malungos e outras histórias(Letramento, 2025), contemplado pelo MINC com o prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura Produzida por Mulheres, e dos livros infantis Dia de Praia (Leiturinha, 2024), Akua’ba (Oríkì, 2022) e Futebol e Assombração(Aziza Editora, 2021). Mãe do Francisco, exerce o ofício de contadora de histórias negras desde 2013.
Pesquisadora das artes negras, com vivência em culturas de matriz africana como o samba, o funk dos anos 90, a capoeira e o jongo, tem a tradição oral e a musicalidade negra como inspiração para seus escritos.
Durante a residência artística no Instituto Sacatar, Juliana Correia irá trabalhar em seu livro em andamento, “Tabuleiro de Olinda”. Para tal, pretende aprofundar a pesquisa sobre comidas de rua, associações femininas negras na Bahia do século XIX e religiosidades diversas, a partir de entrevistas e consultas a acervos institucionais.
Juliana foi selecionada para o Sacatar pela qualidade de sua escrita, as conexões que sua trajetória estabelece entre diversas formas de artes da palavra, e pela pertinência de seu trabalho em andamento para o território de Salvador e da Bahia.


Omid Asadi
Artes Visuais
Irã > Reino Unido
Em parceria com a FACTORY INTERNATIONAL
Omid Asadi é um artista multidisciplinar britânico-iraniano cuja obra conecta a história pessoal à memória coletiva. Após se destacar no boxe e estudar engenharia, ele imigrou para o Reino Unido em 2007, onde descobriu seu caminho artístico. Omid obteve um mestrado em Belas Artes com distinção pela Manchester School of Art e já expôs nacional e internacionalmente.
Sua prática abrange vídeo, escultura, instalação e performance, explorando as tensões entre materiais, memórias e significados. Asadi trabalha frequentemente com temas como migração, identidade e meio ambiente.
Durante sua residência no Sacatar, Asadi pretende deixar que a Ilha de Itaparica guie sua escolha de meio (seja vídeo, instalação ou performance) a partir de um engajamento profundo com suas paisagens, histórias e atmosferas. O artista irá investigar lugares que já não existem fisicamente, mas que persistem por meio da memória e da resiliência coletiva.
A residência de Omid marca o início da parceria entre o Sacatar e a Factory International (Manchester, Reino Unido). Ele foi selecionado para esta oportunidade devido ao potencial que sua metodologia e abordagem artística têm de revelar conexões ainda não exploradas entre sua cidade natal, Abadan, no Irã, e a Bahia — conexões moldadas por ecos compartilhados de deslocamento, colonização e, como o próprio artista descreve, “alegria sob pressão”.

Foto de Jules Lister
Galeria Castlefield

Rita GT
Performance
Portugal
Rita Guedes Tavares é uma artista portuguesa cujo trabalho aborda temas de memória, identidade e Direitos Humanos Universais. Sua obra já foi exibida internacionalmente, e sua prática é influenciada por experiências de vida em diversos contextos culturais, incluindo Viana do Castelo (Portugal), Luanda (Angola) e Nova Iorque (Estados Unidos).
Além de sua prática individual, Rita GT colabora ativamente com diversos grupos e iniciativas. Ela trabalha com As Cantadeiras do Vale do Neiva, um coletivo de cantadeiras tradicionais; cofundou o E-studio Luanda, uma plataforma experimental de arte; e participa do Kitanda, um projeto que combina gastronomia com práticas artísticas contemporâneas.
Sua abordagem artística combina performance, instalação, escultura, vídeo e processos colaborativos. Ela explora narrativas históricas e culturais, com foco em saberes transmitidos ao longo das gerações, especialmente por mulheres.
Durante sua residência no Sacatar, Rita GT pretende aprofundar seu projeto de pesquisa, O Círculo das Contas, que investiga conexões históricas entre a tradição da filigrana minhota e a tradição histórica de joalheria baiana conhecido como jóias de crioula.
Rita GT foi selecionada para o Sacatar devido à relevância de sua pesquisa e à alta qualidade e consistência de seus trabalhos em performance e multidisciplinar.

Performance
Foto de Adriana Couto

Vírus Carinhoso
Performance
Brasil
Em parceria com a SECULT
Vírus é um artista multidisciplinar de Salvador, Bahia. Embora sua prática tenha a música como base, ela também se estende à poesia, à performance e às artes visuais. Dialogando com expressões de identidade afro-diaspórica e culturas urbanas contemporâneas, ele concluiu recentemente a turnê de seu espetáculo Sankofa e lançou um curta-metragem de mesmo nome.
O trabalho de Vírus é orientado por processos que envolvem memória, espiritualidade e resistência, utilizando símbolos, tradições orais e o grafite urbano como dispositivos poéticos e sonoros.
Durante sua residência no Instituto Sacatar, Vírus pretende aprofundar sua pesquisa sobre a simbologia Adinkra e sua relação com a corporeidade do Letrado Baiano. Essa pesquisa servirá como base conceitual para o seu próximo álbum, Karkará.
Natural de Salvador, Vírus é o nono artista a vir ao Sacatar com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por meio do programa Apoio a Ações Continuadas do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Sua candidatura foi selecionada por um júri interdisciplinar, que reconheceu a força de seu trabalho e seu potencial de expansão no contexto de uma residência artística.


Fotografia de Rafael Passos



