Como parte da participação do Sacatar no Ano da França no Brasil, estamos entusiasmados por desempenhar um papel central no projeto Eu Sou Um Oceano Negro, que promove residências, exposições, performances e mesas redondas na Bahia com artistas do Senegal, França e Brasil.
Por meio desse projeto, o Sacatar recebeu quatro artistas: Salimata Diop, Aline Motta, Nathalie Vairac e Shai Andrade (a residência de Shai contou com o apoio da Secretaria de Cultura da Bahia).
Estamos especialmente orgulhosos de fazer parte dessa colaboração multilateral e tricontinental, já que o projeto teve origem na residência de uma ex-residente no Sacatar. A artista franco-camerunense Beya Gille-Gacha esteve em residência conosco no ano passado, e o impacto dessa experiência — juntamente com as conexões que ela fez aqui — tornou-se o ponto de partida conceitual e institucional para um projeto que agora está se concretizando e reunindo muitas outras organizações.
Entre os eventos relacionados ao projeto Eu Sou Um Oceano Negro está a exposição “O Caminho da Tartaruga”, uma apresentação individual das obras de Beya iniciadas durante sua estadia no Sacatar. A exposição estará em cartaz na Aliança Francesa de Salvador a partir do dia 6 de novembro.
O projeto transcontinental de residências, exposições e performances artísticas Eu Sou Um Oceano Negro (ESUON) reativa e honra a memória do Oceano Atlântico, não mais como uma “rota da escravidão” (o tráfico transatlântico, que deportou cerca de 12,5 milhões de africanos entre os séculos XVI e XIX), mas como uma matriz oceânica e um “bem comum”.
O engajamento afro-ecofeminista insiste na interconexão entre a opressão das mulheres, a exploração da Terra e o imperialismo. O ESUON afirma que o poder feminino é essencial diante da fragmentação (crises identitárias, climáticas, sociais).
Reparação Memorial: Ao escolher Salvador da Bahia (Brasil) para o seu primeiro capítulo — cidade cuja grande maioria da população é afrodescendente e cujo patrimônio é fortemente marcado pela chegada em massa de pessoas escravizadas — o ESUON ancora sua ação em um importante local de memória da diáspora. A realização do evento em torno do Dia da Consciência Negra reforça esse compromisso.
Contra-narrativa: O projeto combate o “apagamento” e o “sepultamento” histórico das figuras iniciadoras negras. Ele substitui a imagem das vítimas passivas pela das viajantes, iniciadoras e guias ancestrais cujo poder nunca se extinguiu. Assim, cria uma narrativa ativa do poder feminino negro, rompendo com o foco exclusivo no sofrimento.
O apelo ao Retorno: Países como Gana (com a iniciativa marcante do “Ano do Retorno” em 2019, que marcou os 400 anos da chegada dos primeiros escravos africanos à Virgínia, seguida pela iniciativa “ ” em 2019, marcando os 400 anos da chegada dos primeiros escravos africanos à Virgínia, seguida pela iniciativa Beyond the Return) e Benim implementaram ativamente políticas para acolher os afrodescendentes, facilitar o seu acesso à cidadania e incentivar o investimento cultural e econômico.
A Reconexão Espiritual: O ESUON concretiza esse retorno em um plano espiritual e artístico. A visão da reforma dos continentes (o Cabo do Brasil unindo-se ao Golfo da Guiné) é uma metáfora poderosa para a necessidade de “nos tornarmos Um” novamente. O ESUON propõe uma recomposição do que foi separado e quebrado, não pela geopolítica, mas por uma criação artística colaborativa inédita, que privilegia o rastro e o itinerário em vez do enraizamento único.
Em conclusão, ao tornar o Atlântico um local de cura e de encontro feminino, o ESUON não é apenas um projeto artístico, é um manifesto vivo que oferece à diáspora e ao mundo um modelo de reconexão entre a história, a espiritualidade e o futuro, necessário para uma reparação e um mundo mais unido.
Este projeto conta com a parceria das seguintes entidades: Fundação Gregório de Mattos, Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Salvador, Casa Bráfrica, Sacatar, Pivô Salvador, Nefe, Space Un Tokio, Aliança Francesa Salvador, Goethe Institut, Ambassade de France Au Brésil, Ministére de la Culture e Institut Français





